OFICINAS LEPEHIS 2026/1
PROGRAMAÇÃO COMPLETA [clique aqui]
* Os formulários de inscrição serão disponibilizados 15 dias antes de cada oficina, no site do LEPEHIS.
* Todas as oficinas serão realizadas na sala do LEPEHIS, exceto quando os coordenadores solicitarem outro ambiente (será informado previamente).
* Os certificados serão emitidos após a finalização de cada oficina.
* Os/As estudantes matriculados/as nos estágios obrigatórios deverão somar, no mínimo, 20h semestrais de participação nas oficinas, conforme o Regulamento de Estágio Curricular Supervisionado (2022).
* Dúvidas: lepehisfhufg@gmail.com
1. Educação Patrimonial: Os patrimônios difíceis no Brasil

Com o objetivo de apresentar as discussões historiográficas acerca dos patrimônios sensíveis no cenário brasileiro, a oficina foi desenvolvida em dois momentos. Em um primeiro momento, foram apresentados aos participantes os conceitos de Educação Patrimonial e de Patrimônios Difíceis (Meneghello, 2021), acompanhados de exemplos concretos de patrimônios sensíveis no Brasil. Em um segundo momento, foram realizadas discussões em grupos sobre diferentes patrimônios sensíveis presentes no país, cujas reflexões foram posteriormente socializadas com os demais colegas. A atividade revelou-se de grande relevância para a formação docente, na medida em que possibilitou a articulação entre referenciais teóricos e práticas pedagógicas, estimulando a reflexão crítica sobre o ensino de História em contextos marcados por memórias sensíveis e conflitos. Além disso, favoreceu o desenvolvimento de competências relacionadas ao trabalho colaborativo, à problematização de narrativas históricas e à elaboração de estratégias didáticas voltadas à abordagem de temas complexos em sala de aula.


A oficina foi realizada com expressiva participação dos envolvidos, que se engajaram ativamente nas discussões e nas atividades propostas, evidenciando o interesse pelo tema e a efetividade da abordagem metodológica adotada. Ao longo do encontro, foram mobilizados recursos diversificados, como escuta musical orientada, análise de letras, apreciação de imagens e atividades em grupo, o que contribuiu para uma experiência dinâmica e significativa de aprendizagem. A proposta centrou-se na análise histórica e cultural da música sertaneja, destacando as transformações ocorridas a partir da segunda metade da década de 1980, quando o gênero passou a ocupar maior espaço nos meios de comunicação de massa, como rádios e telenovelas. Discutiu-se como essa visibilidade ampliada impulsionou mudanças estéticas, temáticas e identitárias, marcando a transição das tradicionais “modas de viola”, vinculadas ao universo rural, para um sertanejo mais alinhado às lógicas do mercado fonográfico e do entretenimento urbano. Durante a oficina, os participantes foram convidados a refletir criticamente sobre diferentes fases do gênero, identificando continuidades e rupturas nas letras, nos arranjos e nas representações culturais. A atividade final, desenvolvida em grupos, estimulou a análise e a associação de elementos musicais e visuais aos seus respectivos contextos históricos, promovendo a construção coletiva do conhecimento. De modo geral, a oficina alcançou seus objetivos ao favorecer a compreensão das transformações da música sertaneja e seus impactos na construção de identidades culturais, ao mesmo tempo em que incentivou a participação ativa e o uso crítico de diferentes linguagens e fontes.

Observou-se que o processo de tramitação do Comitê de Ética pode ser confuso, longo e exaustivo, tornando seu desenrolar complexo e pouco compreensível para os pesquisadores que estão construindo seus trabalhos ou já os desenvolvendo e que necessitam de recursos humanos para a execução de suas pesquisas. Nesse sentido, esta oficina teve como objetivo aclarar questões relacionadas aos procedimentos e às normativas que regem os estudos científicos com seres humanos realizados no âmbito da Universidade Federal de Goiás (UFG), com o intuito de auxiliar no cadastramento, na elaboração e na submissão de projetos, bem como elucidar os tipos de pesquisa que necessitam de apreciação ética. Assim, visando apresentar um passo a passo dessa atividade minuciosa aos pesquisadores que demandam a participação de pessoas para o pleno desenvolvimento de suas investigações, a oficina, a partir de exposições orais articuladas e atividades de simulação do cadastro e da submissão de projetos na Plataforma Brasil/Comitê de Ética em Pesquisa da UFG, buscou promover a análise de estudos de caso, a troca de experiências e uma maior compreensão dos fluxos e exigências desse processo. Desse modo, o público-alvo da oficina foi composto por alunos da graduação em fase de elaboração de projetos de pesquisa para o ingresso no PPGH, alunos ingressantes no PPGH e demais interessados ou que desenvolvem investigações que envolvem direta ou indiretamente seres humanos. Esperou-se que, ao final da oficina, os participantes desenvolvessem maior autonomia e segurança no cumprimento das exigências éticas e documentais para aprovação de suas investigações, contemplando o seguinte conteúdo programático: Comitê de Ética em Pesquisa (CEP): fundamentos, objetivos e funcionamento; Plataforma Brasil: cadastro do pesquisador e do projeto de pesquisa; tipos de pesquisa que exigiam aprovação do CEP; direitos e deveres dos participantes da pesquisa; direitos, responsabilidades e atribuições do pesquisador; documentação necessária para submissão ao CEP em diferentes modalidades de pesquisa; análise de pendências, pareceres e fluxos de aprovação ética.


6. Das cavernas à civilização: Diálogos com a Arqueologia no Ensino da "Pré-História" em sala de aula

A oficina teve como objetivo promover um diálogo entre o ensino de História e os conhecimentos da Arqueologia, adotando uma abordagem mais aprofundada e também lúdica sobre o Brasil anterior à colonização. Ao longo das atividades, buscou-se ampliar a compreensão dos participantes acerca do povoamento do continente americano, problematizando o uso da nomenclatura “Pré-História”, especialmente para além das abordagens tradicionais presentes nos livros didáticos. Durante a oficina, foram examinadas contribuições de diferentes campos do saber, com destaque para as teorias arqueológicas e antropológicas, integradas ao ensino de História. Essa perspectiva interdisciplinar permitiu discutir limites e potencialidades dessas abordagens, incentivando uma leitura mais crítica sobre os processos históricos e sobre as formas de construção do conhecimento. Além disso, a oficina incorporou práticas de Educação Patrimonial como eixo fundamental, evidenciando seu papel como ferramenta pedagógica relevante. Foi ressaltado como essa prática pode se constituir em um diferencial no trabalho do historiador em sala de aula, sobretudo diante da recorrente lacuna de formação específica sobre o tema. Dessa forma, a atividade contribuiu para o fortalecimento de estratégias didáticas mais contextualizadas, críticas e sensíveis à diversidade histórica e cultural do Brasil anterior à colonização.
7. Preservação do patrimônio e políticas públicas: o tombamento do Art Déco em Goiânia (GO)

A oficina abordou as políticas públicas de preservação do patrimônio cultural a partir do estudo do tombamento do conjunto Art Déco de Goiânia (GO). Inicialmente, discutiu-se o contexto de formação da capital nas décadas de 1930 e 1940, destacando o uso do Art Déco como expressão do projeto modernizador do Estado, que buscava associar a nova cidade à ideia de progresso, em contraposição às imagens de atraso atribuídas à região. Em seguida, analisaram-se os instrumentos legais de proteção, os agentes envolvidos no processo de tombamento e os critérios de reconhecimento desse acervo como patrimônio cultural. Por fim, a oficina promoveu reflexões sobre os desafios atuais de preservação, como a pressão imobiliária, a descaracterização dos bens e as relações entre patrimônio, memória e identidade urbana.
8. Ensino de História e Dramatização: estratégias para mobilizar o corpo e afetos

A oficina analisou a importância da experimentação de metodologias dramatúrgicas aplicadas ao Ensino de História, articulando pressupostos da Educação Histórica, das pesquisas em Ensino de História e das práticas de multiplicitação dramática inspiradas na esquizoanálise e no esquizodrama. Ao longo dos encontros, foram desenvolvidas experiências coletivas de criação, mobilização corporal e problematização de temas emergentes do contexto acadêmico e dos desafios contemporâneos da docência em História, evidenciando o potencial da dramatização como dispositivo pedagógico e formativo. A proposta possibilitou refletir sobre a relevância do corpo, dos afetos e da experiência estética na construção do conhecimento histórico, ampliando as formas de mediação pedagógica no Ensino de História. As atividades favoreceram a participação coletiva, o desenvolvimento da criatividade e a elaboração de estratégias autorais de dramatização aplicáveis aos contextos educacionais. Durante os encontros, a multiplicitação dramática mostrou-se importante para a mediação coletiva de experiências e conflitos, promovendo espaços de escuta, problematização e construção compartilhada de sentidos. As dramatizações inspiradas no Teatro do Oprimido e no rolling play permitiram discutir conteúdos históricos e desafios contemporâneos, como disputas narrativas, negacionismos, currículo e cultura digital, de maneira crítica e sensível. A oficina também evidenciou a importância da mobilização corporal e afetiva nos processos de ensino-aprendizagem, contribuindo para a formação docente ao estimular práticas pedagógicas mais dialógicas, criativas e implicadas com os desafios do tempo presente. Ao final, as propostas autorais elaboradas pelos participantes demonstraram a potencialidade da dramatização como recurso metodológico capaz de articular reflexão historiográfica, experiência coletiva e inovação pedagógica.


A oficina abordou o conceito de letramento racial como fundamento para a construção de uma educação antirracista, destacando sua importância na desconstrução de práticas e pensamentos racistas e colonizadores. Ao longo das atividades, discutiu-se o protagonismo negro na História da África e nas lutas de resistência frente às opressões raciais e sexistas, além da produção de materiais didáticos voltados ao ensino de História. Também foram analisadas as desigualdades raciais na educação brasileira, a partir de autoras como Nilma Lino Gomes e Antonieta de Barros, bem como de dados sobre a presença de professores negros no Brasil, em Goiás e em Anápolis, refletindo sobre os impactos históricos da pós-abolição na educação contemporânea. A oficina ainda problematizou a ausência de representatividade negra em desenhos e filmes, evidenciando seus efeitos na autoestima e na construção identitária de crianças negras. As discussões contemplaram, ainda, os avanços e desafios relacionados às Leis Lei 10.639/2003 e Lei 11.645/2008, reforçando a necessidade de novas formas de pensar a linguagem e as práticas pedagógicas. O projeto Narrativas Pretas, iniciado em 2022, evidenciou a urgência de combater o apagamento histórico dos saberes negros e indígenas, promovendo representatividade, produção de materiais didáticos e formação de educadores comprometidos com práticas antirracistas. Inspirado na reflexão de Angela Davis de que “não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”, o curso contribuiu para a formação crítica dos participantes e para o fortalecimento de ações pedagógicas voltadas à construção de uma sociedade mais justa e igualitária.


11. Narrativas plurais: discursos sobre gênero e sexualidade a partir de Fanzines

A oficina abordou as sexualidades dissidentes da heterossexualidade, problematizando os discursos hegemônicos que historicamente marginalizaram as experiências LGBTQIA+. As atividades focalizaram especialmente as lesbianidades, destacando seu caráter político e a agência das sujeitas históricas no período contemporâneo. Foram discutidas a atuação de mulheres lésbicas durante a Ditadura Militar e a trajetória artística e política de Vange Leonel entre os anos de 1997 e 2011. A proposta fundamentou-se nas perspectivas lésbico-feministas de Adrienne Rich e Monique Wittig, bem como nos estudos de Michel Foucault, buscando ampliar e pluralizar as narrativas sobre gênero e sexualidade no ensino de História. A oficina foi desenvolvida em dois encontros, articulando momentos teóricos sobre gênero e sexualidade com atividades práticas de produção de fanzines. Ao final, a experiência contribuiu para ampliar os debates sobre sexualidades dissidentes no campo do ensino de História, estimulando reflexões críticas e práticas pedagógicas inclusivas.

12. Ensino de Cultura Afro-Brasileira: recursos, estratégias e possibilidades

A oficina propôs a discussão teórico-metodológica do ensino de História e Cultura Afro-Brasileira na Educação Básica, à luz da legislação vigente, especialmente da Lei nº 10.639/2003 e das diretrizes correlatas. Foram abordados os fundamentos da educação para as relações étnico-raciais, as perspectivas da historiografia africana e afro-brasileira e os desafios relacionados à implementação curricular. Ao longo das atividades, exploraram-se diferentes recursos didáticos, como fontes históricas, músicas, imagens, literatura, cultura material e mídias digitais, articulados ao uso de metodologias ativas e práticas pedagógicas antirracistas. Também foram realizados momentos de análise crítica de materiais didáticos, elaboração de propostas de intervenção pedagógica e socialização de experiências entre os participantes. A oficina contribuiu para a formação de docentes capazes de desenvolver práticas contextualizadas, críticas e comprometidas com a valorização da cultura afro-brasileira e com o enfrentamento do racismo no espaço escolar.

13. Fome, escassez e desigualdade: uma história social da alimentação no Brasil

A oficina propôs uma abordagem histórica e crítica da fome, compreendida como fenômeno social, político e estrutural, e não como resultado exclusivo de fatores naturais ou individuais. A partir da análise de fontes históricas no Brasil, discutiram-se as relações entre pobreza, doença e alimentação, bem como as respostas institucionais e as políticas públicas voltadas ao combate à fome ao longo do tempo. Também foram examinados os processos de estigmatização social da fome e dos sujeitos famintos, evidenciando como discursos médicos, morais e políticos contribuíram para a naturalização das desigualdades alimentares. Por meio do trabalho com fontes históricas e estudos de caso, a oficina buscou estabelecer conexões entre experiências passadas e desafios contemporâneos relacionados à insegurança alimentar, promovendo reflexão crítica e produção coletiva de conhecimento.
14. O Enem e Eu - Caminhos para o Futuro


O Laboratório de Ensino e Pesquisa em História (LEPEHIS) promoveu a oficina pedagógica “O Enem e eu – Caminhos para o Futuro”, destinada aos estudantes do ensino médio na modalidade EJA do Colégio Luiz Gonzaga Contart. A atividade surgiu da constatação do distanciamento entre esses alunos e as informações sobre o acesso ao ensino superior, uma vez que muitos desconheciam as oportunidades oferecidas pelo Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) ou encontravam dificuldades burocráticas para realizar a inscrição. A ausência de informações claras sobre a isenção da taxa, programas como SISU, PROUNI e FIES, bem como os benefícios da assistência estudantil nas universidades federais, frequentemente desmotivava a participação desses estudantes no exame. Diante desse cenário, a oficina teve como objetivo apresentar as possibilidades de ingresso no ensino superior e os apoios existentes, orientando e incentivando os estudantes a realizarem a inscrição no ENEM. Foram abordados temas como a estrutura e a importância do exame, o processo de solicitação de isenção da taxa por meio do CadÚnico e da condição de concluinte do ensino médio, os sistemas de acesso ao ensino superior — como o SISU e suas políticas de cotas —, além do PROUNI, do FIES e das bolsas ofertadas por universidades particulares. Também foram divulgados os auxílios da assistência estudantil destinados a estudantes de baixa renda, como alimentação gratuita e auxílio-maternidade na UFG, bem como plataformas online gratuitas de estudo para o ENEM. A oficina ainda promoveu uma reflexão sobre possibilidades de carreira e formação após a graduação. A atividade foi organizada em dois momentos. O primeiro ocorreu em 9 de abril de 2026 e consistiu no apoio aos estudantes para a solicitação de isenção da taxa de pagamento do ENEM. O segundo momento foi realizado em 14 de maio de 2026, no pátio do colégio, por meio de uma exposição dialogada, conduzida de forma participativa, buscando esclarecer dúvidas, compartilhar informações e estimular os estudantes a planejarem sua continuidade nos estudos após a conclusão da educação básica.
15. Corpos que Resistiram: Violência, Gênero e Raça na História das Mulheres

A oficina propôs uma análise histórica da violência como mecanismo de opressão, controle dos corpos e subjugação da figura humana, tomando como referência as experiências de mulheres negras e de mulheres inseridas em contextos de repressão política, como a Guerrilha do Araguaia. Foram discutidas as formas pelas quais gênero e raça estruturaram práticas de violência física, simbólica e institucional, produzindo silenciamentos e apagamentos nas narrativas históricas. Ao evidenciar os corpos femininos como espaços de dominação, mas também de resistência, a atividade promoveu reflexões sobre as permanências e reconfigurações dessas opressões no tempo presente, articulando história, memória e as lutas por reconhecimento e justiça social.
16. Caminhos para a Pós-Graduação em História: preparação e estratégias para o processo seletivo da UFG

A oficina teve como objetivo orientar estudantes de graduação em História da Universidade Federal de Goiás acerca das etapas, exigências e estratégias envolvidas no processo seletivo para ingresso na pós-graduação stricto sensu, especialmente no mestrado acadêmico. Durante a atividade, foram abordados aspectos fundamentais do processo seletivo, tais como a estrutura dos editais, a definição de tema e problema de pesquisa, a elaboração de pré-projetos, a leitura e interpretação de bibliografia específica, a preparação para provas escritas, bem como orientações relacionadas às entrevistas e à análise curricular. A proposta mostrou-se relevante para a desmistificação do processo seletivo, promovendo reflexões sobre seus critérios explícitos e implícitos e discutindo as expectativas acadêmicas presentes na área de História. Também foram apresentadas estratégias de organização dos estudos, planejamento da trajetória acadêmica durante a graduação e formas de aproximação com grupos de pesquisa e potenciais orientadores. A oficina contemplou momentos práticos de análise de editais anteriores, leitura comentada de projetos aprovados e simulações de etapas do processo seletivo, possibilitando aos participantes uma compreensão mais concreta das demandas e desafios envolvidos no ingresso na pós-graduação. Ao final da atividade, observou-se o fortalecimento da autonomia e da segurança dos participantes para planejar suas futuras candidaturas. Os debates e exercícios realizados contribuíram para ampliar a compreensão do processo seletivo não apenas como uma etapa avaliativa, mas como parte integrante da formação acadêmica e da construção da trajetória do historiador-pesquisador.
17. O anticomunismo nas aulas de História

Nos dias 19 e 26 de maio e 2, 9 e 23 de junho de 2026, foi realizada, no LEPEHIS, a oficina “O anticomunismo nas aulas de História”, coordenada pela doutoranda do PPGH/UFG Eliene Gomes da Silva Alves. A atividade, com carga horária de 20 horas, reuniu graduandos, pós-graduandos e professores da Educação Básica interessados em discutir estratégias para o tratamento do anticomunismo nas aulas de História. Ao longo dos encontros, foram analisados o imaginário anticomunista no Brasil, sua presença em discursos autoritários e negacionistas, os impactos sobre currículos e práticas docentes, além de temas como Escola sem Partido, “marxismo cultural” e ataques à autonomia docente. A oficina utilizou como referência o e-book “O perigo vermelho: comunismo e anticomunismo no Brasil”, produzido pela coordenadora, e possibilitou a elaboração de propostas pedagógicas para a abordagem crítica de temas sensíveis no Ensino Médio.
18. Oficina Psicoeducativa para Instrumentalizar Discentes da Pós-Graduação na UFG: em ambientes em que o conhecimento é forma de poder, autoconhecer-se é superpoder

No dia 11 de junho de 2026, foi realizada, na sala do LEPEHIS, a oficina “Oficina Psicoeducativa para Instrumentalizar Discentes da Pós-Graduação na UFG: em ambientes em que o conhecimento é forma de poder, autoconhecer-se é superpoder”. A oficina foi coordenada por Margarida do Amaral Silva. Durante o encontro, foram discutidos os desafios relacionados à saúde mental de estudantes da pós-graduação, considerando as exigências da rotina acadêmica, os processos de elaboração de dissertações e teses, as relações de orientação e as pressões associadas à produtividade. A atividade destacou que o sofrimento psíquico poderia ser influenciado por fatores individuais, sociais, coletivos e institucionais, afetando o bem-estar, a motivação e o envolvimento dos estudantes com suas atividades acadêmicas. As discussões foram fundamentadas em contribuições da Psicologia Humanista, da Psicologia Comportamental, da Psicanálise, da Psicopatologia, da Psicologia Evolucionista e da Biologia Molecular do Desenvolvimento Humano. Também foi realizada uma atividade prática baseada na teoria das Múltiplas Inteligências, de Howard Gardner. Por meio da psicoeducação, a oficina possibilitou a partilha de conhecimentos e experiências, incentivando os participantes a refletirem sobre suas potencialidades, limitações, emoções e formas de enfrentamento dos desafios cotidianos. A atividade contribuiu para ampliar o autoconhecimento, a capacidade de tomada de decisões, a automotivação e o cuidado com a saúde mental ao longo da formação na pós-graduação.
19. Dinossauros como documento: cinema, fósseis e a construção do passado

A oficina “Dinossauros como Documento: cinema, fósseis e a construção do passado” promoveu uma reflexão sobre a produção do conhecimento histórico a partir de um objeto de estudo inusitado e instigante: os dinossauros. A atividade evidenciou que toda reconstituição do passado é condicionada pelo presente de quem a realiza, revelando valores, medos, interesses e disputas próprios de cada época. Em formato expositivo e dialógico, a oficina utilizou o cinema como documento histórico para analisar transformações culturais, científicas e políticas ocorridas ao longo dos séculos XX e XXI. Trechos de filmes como Jurassic Park e Jurassic World foram mobilizados para desenvolver a leitura crítica de fontes audiovisuais e discutir os procedimentos de análise documental próprios do ofício do historiador. Ao longo das atividades, foram abordadas as diferentes interpretações construídas sobre os dinossauros, desde as explicações míticas da Antiguidade e da Idade Média até a formulação científica do conceito no século XIX. Discutiu-se como a imagem do “réptil terrível”, produzida no contexto vitoriano, esteve associada às ideias de progresso, civilização e superioridade ocidental. A oficina também aproximou a paleontologia da historiografia ao problematizar temas contemporâneos, como o colonialismo científico, o patrimônio e a circulação internacional de fósseis. A retirada de exemplares do Sul Global e sua incorporação a museus do Norte Global foi analisada como expressão de assimetrias de poder e de disputas em torno do direito de nomear, preservar e narrar o passado. O confronto entre as representações cinematográficas e descobertas científicas recentes, como a existência de dinossauros com penas, possibilitou refletir sobre a influência do imaginário coletivo na construção das percepções de verdade. Ao final, os dinossauros foram apresentados não apenas como criaturas biológicas, mas como uma questão histórica e um recurso pedagógico para discutir a dimensão política das narrativas e o uso de fontes não convencionais no ensino de História.
20. VOSviewer para pesquisa e ensinos de história: Bibliometria e análise de redes para historiadores

Em junho de 2026, o LEPEHIS/FH-UFG recebeu a oficina “VOSviewer para pesquisa e ensino de História: bibliometria e análise de redes para historiadores”, coordenada pelos graduandos Arthur Luiz Pereira Silva e Davi Seabra Dornellas. A atividade reuniu estudantes interessados no emprego de recursos digitais em pesquisas históricas e em práticas de ensino. A oficina apresentou os fundamentos da bibliometria e das análises quantitativas aplicadas à História, estabelecendo relações com a história serial e a história quantitativa. Foram discutidos conceitos como coautoria, cocitação, acoplamento bibliográfico, centralidade, densidade e formação de agrupamentos temáticos. Os coordenadores também destacaram as possibilidades e os limites do VOSviewer, ressaltando que os mapas produzidos não constituem explicações autônomas, mas instrumentos que precisam ser interpretados histórica e historiograficamente. Na parte prática, os participantes conheceram as principais fontes de dados bibliográficos compatíveis com o programa, entre elas Web of Science, Scopus, Dimensions, OpenAlex e CrossRef. Também foram apresentadas estratégias de busca, formas de organização dos dados e diferentes formatos de arquivos, como RIS, CSV e BibTeX. Após a instalação e a configuração do ambiente de trabalho, foram realizadas atividades guiadas de importação de dados e construção de mapas de coocorrência de termos, coautoria e cocitação. A leitura dos mapas possibilitou discutir a identificação e a interpretação de clusters, a força das ligações, a presença de autores centrais e autores-ponte, além das transformações temporais de determinados campos de pesquisa. A atividade chamou atenção para alguns cuidados metodológicos, como os vieses linguísticos, a cobertura desigual das bases de dados, o presentismo e os riscos de interpretar quantitativamente fenômenos que exigem contextualização histórica. Por fim, foram exploradas possibilidades de utilização do VOSviewer em revisões bibliográficas de dissertações e teses, em disciplinas de historiografia e metodologia e em atividades pedagógicas voltadas à análise de debates historiográficos. Também foram discutidas formas de integração do programa com ferramentas como Zotero, Mendeley e Obsidian. A oficina contribuiu para ampliar o repertório metodológico dos participantes e demonstrou como a bibliometria e a análise de redes podem auxiliar na visualização de tendências, tradições intelectuais, aproximações entre autores e transformações da produção historiográfica, desde que associadas à leitura crítica das fontes e às perguntas próprias da pesquisa histórica.
21. Democracia Corinthiana: Futebol, Cultura Política e Resistência na Ditadura Militar Brasileira

A oficina “Democracia Corinthiana: Futebol, Cultura Política e Resistência na Ditadura Militar Brasileira” teve como objetivo compreender como o futebol também foi um espaço de luta e transformação social, a partir da experiência do Sport Club Corinthians Paulista nos anos de 1980. Ao longo da atividade, foram discutidas as relações entre esporte, cultura política e resistência durante o período da ditadura militar no Brasil. A oficina abordou o movimento da Democracia Corinthiana, marcado pela participação coletiva dos jogadores nas decisões do clube em um contexto de forte repressão política. Também foram destacados os protagonismos de figuras como Sócrates, Wladimir e Casagrande, articulando debates sobre cidade, memória e cultura popular. Por meio da análise de imagens, de um documentário produzido pelo time e de diferentes fontes históricas, a atividade evidenciou como o futebol ultrapassa os limites do campo e dialoga diretamente com a história da sociedade brasileira.
22. Filhas de Satã: Magia, bruxaria e feitiçaria na Idade Média e Moderna

A oficina apresentou, de forma introdutória, o tema da bruxaria na Idade Média e na Idade Moderna, compreendendo-o como uma linha de pesquisa possível no campo das Humanidades. Por meio do contato com conceitos iniciais, fontes históricas conhecidas e particularidades relevantes do fenômeno, a atividade buscou construir um ponto de partida sólido para os participantes interessados em investigar mais profundamente os temas relacionados à bruxaria, à feitiçaria e à magia popular. As discussões foram desenvolvidas a partir das reflexões de autores como José Pedro Paiva, em Bruxaria e superstição num país sem “caça às bruxas”: 1600–1774; James Sharpe, no capítulo “The Demonologists”, da obra The Oxford History of Witchcraft and Magic; Jeffrey Russell, no capítulo “Bruxaria na Grã-Bretanha e nas colônias inglesas da América do Norte”; e Laura de Mello e Souza, em O Diabo e a Terra de Santa Cruz. A partir dessas referências, a oficina analisou como diferentes contextos históricos e geográficos produziram respostas diversas ao fenômeno da bruxaria, envolvendo reações populares, inquisitoriais, legislativas e clericais. Desse modo, a atividade contribuiu para ampliar a compreensão dos participantes sobre a complexidade histórica da bruxaria, destacando suas múltiplas interpretações e formas de enfrentamento em diferentes sociedades.