INSCRIÇÕES ABERTAS: "OFICINA PSICOEDUCATIVA PARA INSTRUMENTALIZAR DISCENTES DA PÓS-GRADUAÇÃO NA UFG: Em ambientes em que o conhecimento é forma de poder, autoconhecer-se é superpoder"
TÍTULO: OFICINA PSICOEDUCATIVA PARA INSTRUMENTALIZAR DISCENTES DA PÓS-GRADUAÇÃO NA UFG: Em ambientes em que o conhecimento é forma de poder, autoconhecer-se é superpoder
MODALIDADE: presencial
COORDENAÇÃO: Margarida do Amaral Silva (Psicóloga Clínica CRP 09/013427 e Antropóloga Social; Especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental/PUCRS; Mestra em Antropologia Social/PPGAS-UFG; Doutora em Psicologia Social/PPGP-PUCGoiás; Pós-Doutorado em Cultura Contemporânea/PACC-UFRJ).
DATA E HORÁRIO: 11 de junho de 2026 - 14h às 18h
LOCAL: sala do LEPEHIS
CARGA HORÁRIA: 4 horas
VAGAS: 20
EMENTA: O campo da saúde mental é polissêmico e plural, sendo uma área extensa, complexa e transversal do conhecimento. Como produto de múltiplas interações entre fatores biopsicossociais, essa área está intrinsecamente atrelada à percepção que as pessoas têm sobre suas vidas, ao processo de busca pelo próprio bem-estar e, ainda, pela tão necessária (re)estruturação constante da capacidade de enfrentamento do cotidiano. Como fator agravante, dentro de um campo que já abriga inúmeras complexidades e também contradições tem-se, como marca desse século, o aumento global no número de diagnósticos de transtornos mentais - com ênfase para variações no neurodesenvolvimento (ex.: TEA) e transtornos de humor (ex.: Depressão) - pelo reconhecimento e mapeamento de sintomas psicopatológicos, seja pela aplicação da Classificação Internacional de Doenças (CID-11/OMS) ou orientado pelos construtos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5-TR/APA). No que se refere mais especificamente aos ambientes universitários, as realidades estudadas evidenciam que os estudantes de pós-graduação apresentam quadros de adoecimento psíquico influenciados por condições multifatoriais, ou seja, por suas crenças, percepções e comportamentos (processos estes constituídos por aspectos como subjetividades, processamento das informações, histórico individual, topografia e função do comportamento, tomada de decisão, reações ao meio social etc.). Do adoecimento psíquico de pós-graduandos, tem-se que tais fatores, em estado disfuncional, afetam de modo direto o bem-estar estudantil e o engajamento às rotinas do cotidiano acadêmico. Isso obviamente faz atravessamentos por situações como o relacionamento com orientadores, para elaboração de estudos – dentro do processo de construção de uma pesquisa - e, sobretudo, encontra com inúmeros desafios aos estudantes quando da elaboração do tão aguardado produto final do mestrado e do doutorado, o que incide de modo direto na consolidação da “produtividade acadêmica”, pela apresentação de uma dissertação ou tese para encerramento dos ciclos de formação na Pós-Graduação. Sabe-se, portanto, que a saúde mental de estudantes de pós-graduação é muitas vezes negligenciada, segundo inúmeros estudos realizados no Brasil e no mundo. No tocante à pós-graduação brasileira, sua inegável expansão, nos últimos 60 anos, não ocorreu sem consequências, uma vez que esse dado quantitativo por si, somado às adversidades do contexto sociocultural, imprimiu “marcas psíquicas” na comunidade acadêmica estudantil, em níveis absolutamente alarmantes, porque são generalizados. Assim, não se pode ignorar que a pandemia de covid-19 impactou significativamente na saúde pública e na sociedade, alterando a vida cotidiana, os quadros socioeconômicos e as relações interpessoais. As pesquisas sobre esse tema, de forma reincidente, evidenciam resultados com indicadores do aumento da prevalência de transtornos mentais, como ansiedade e depressão (sem/com condutas de risco como automutilação e elaboração ou concretização de comportamento suicida), influenciados, dentre outros aspectos, pela mudança na dinâmica de vida e pela interrupção na produção e conclusão dos trabalhos acadêmicos, no caso dos estudantes pós-graduação, mais especificamente. Assim, a proposição desta Oficina é subsidiada pelo fato de que a adaptação à rotina acadêmica exige uma mobilização de recursos cognitivos e emocionais associados a um ambiente altamente desafiador e, sobretudo, pelo fato de que a transposição dos numerosos desafios, no percurso da pós-graduação, serão afetadas pelas dimensões do humano - individuais, sociais, coletivas e institucionais -, o que pode implicar no desenvolvimento de sinais e sintomas de sofrimento psíquico. Ademais, essa atividade é espaço para um encontro acadêmico de pós-granduandas/os, em que serão oferecidas discussões de caráter teórico, perpassando por olhares de expoentes da Psicologia Humanista (Abraham Maslow; Carl Rogers), da Psicologia Comportamental (Burrhus Frederic Skinner), da Psicanálise (Sigmund Freud), da Psicopatologia (Modelo Biopsicossocial), da Psicologia Evolucionista e da Biologia Molecular sobre o Desenvolvimento Humano (Alexander L. Starr e Hunter B. Fraser), somadas a uma atividade prática, baseada na teoria das Múltiplas Inteligências (Howard Gardner). Desse modo, essa atividade tem como propósito a estruturação de um espaço de discussões, com aplicação da psicoeducação enquanto técnica que relaciona os instrumentos psicológicos e pedagógicos com o objetivo de ensinar a olhar o humano biopsicossocialmente, o que por si já torna possível o desenvolvimento de um trabalho de prevenção e de conscientização em saúde mental, para estudantes de pós-graduação da UFG. Em suma, essa oficina psicoeducativa objetiva proporcionar, mesmo que de modo incipiente, a partilha de conhecimentos e vivências que se desdobram, ainda que com benefícios mínimos, no campo do autoconhecimento fundamentado em bases interdisciplinares, com fins de ampliar as possibilidade de execução mais assertiva do controle inibitório (emocional), potencializando a assertividade na tomada de decisões e a automotivação na realização de tarefas, em grande medida, tendo como expectativa a ampliação do olhar para o estudo e autorreconhecimento de suas potencialidades e limitações biopsicossociais.
OBS: Oficina exclusiva para o PPGH e ProfHistória.